Agentes: single-agent vs multi-agent
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"Agente" é a palavra mais inflada de 2025-2026 em IA. Todo mundo fala, quase todo mundo usa mal. Vamos separar o que é agente de verdade do que é prompt com tool use.
O que é um agente (definição útil)
Agente é um sistema onde o modelo decide, em tempo de execução,
o que fazer a seguir - incluindo chamar tools, fazer mais perguntas,
ou parar. A diferença pro pipeline (que vimos em
decomposicao-tarefas) é justamente essa: no pipeline, você define
a ordem; no agente, o modelo decide.
Na prática, é um loop:
loop:
1. observa estado atual
2. decide próxima ação
3. executa ação
4. observa resultado
5. decide: terminou? (sim → sai; não → volta pro passo 1)
Single-agent vs multi-agent
Single-agent (o default): um loop, um modelo, várias tools. É o que resolve 80% dos casos. Exemplo: agente de suporte que consulta pedido, busca FAQ, abre ticket, responde cliente.
Multi-agent: dois ou mais agentes, cada um com seu papel/modelo/ tools, que conversam entre si. Um "pesquisador" busca, um "redator" escreve, um "crítico" revisa. Mais sofisticado, mais caro, mais difícil de debugar.
Quando single-agent basta
- A tarefa é bem definida (resumir documento, classificar email, responder FAQ).
- As tools são independentes (consultar banco, calcular, buscar).
- Você quer simplicidade operacional e debug fácil.
Quando multi-agent ajuda (e quando não)
Ajuda:
- Tarefas com papéis genuinamente diferentes (pesquisar vs escrever vs revisar).
- Quando um agente pode criticar o output de outro antes de seguir.
- Workflows longos que se beneficiam de paralelismo entre agentes independentes.
Não ajuda (over-engineering):
- Tarefas que um agente bem-prompted já resolve.
- Quando você adiciona agentes pra "parecer mais sofisticado".
- Quando o overhead de orquestração e custo é maior que o ganho de qualidade.
Padrões de design que importam
- Tool com descrição clara - vimos em
function-calling. Vale dobrar pra agente: a descrição é o que o agente usa pra decidir. - Limite o número de tools - modelo se perde com 20+ tools. Agrupe, exponha dinamicamente, ou use multi-agent.
- Dê ao agente um "orçamento" - máximo de N iterações, ou timeout, ou custo máximo. Sem limite, agente pode entrar em loop.
- Logging extensivo - trace de cada iteração: o que o agente decidiu, por quê, qual tool chamou, qual o resultado. Sem isso, debug é inferno.
- Human-in-the-loop em ações irreversíveis - "deletar conta", "mandar email externo", "comprar". Agente propõe, humano executa (com aprovação).
Frameworks de orquestração
- LangGraph (LangChain) - orquestração de agentes em grafo. Mais usado, com tracing bom (LangSmith).
- DSPy - mais declarativo, "compila" o agente junto com otimização.
- CrewAI / AutoGen - multi-agent com papéis pré-definidos.
- Anthropic Agent SDK / OpenAI Agents SDK - frameworks oficiais dos providers.
Regra prática: comece com código explícito (loop + LLM call + tool execution). Só pule pra framework quando a orquestração virar complexa de manter.
// Quiz
Você precisa de um agente que pesquisa, escreve, e revisa artigos de 2000 palavras. Single ou multi-agent?
- Agente = loop onde o modelo decide a próxima ação. Pipeline tem ordem fixa; agente tem ordem dinâmica.
- Single-agent (1 loop, várias tools) resolve 80% dos casos.
- Multi-agent ajuda quando os papéis são genuinamente diferentes (pesquisar vs escrever vs revisar).
- Frameworks (LangGraph, CrewAI, SDKs dos providers) entram quando a orquestração fica complexa de manter à mão.
- Sempre: limite de iterações, logging extensivo, human-in-the-loop em ações irreversíveis.
Dica: o sinal de que você precisa de multi-agent é: single-agent está "saindo do papel" - começa a pesquisar quando devia estar escrevendo, ou a escrever quando devia estar revisando. Esse é o sintoma clássico de que os papéis precisam ser separados.
No próximo nó, vamos para uma dimensão diferente: o modelo que enxerga, ouve e fala - multimodal.