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Agentes: single-agent vs multi-agent

3 min de leitura

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"Agente" é a palavra mais inflada de 2025-2026 em IA. Todo mundo fala, quase todo mundo usa mal. Vamos separar o que é agente de verdade do que é prompt com tool use.

O que é um agente (definição útil)

Agente é um sistema onde o modelo decide, em tempo de execução, o que fazer a seguir - incluindo chamar tools, fazer mais perguntas, ou parar. A diferença pro pipeline (que vimos em decomposicao-tarefas) é justamente essa: no pipeline, você define a ordem; no agente, o modelo decide.

Na prática, é um loop:

loop:
  1. observa estado atual
  2. decide próxima ação
  3. executa ação
  4. observa resultado
  5. decide: terminou? (sim → sai; não → volta pro passo 1)
Agente: o modelo decide, a cada passo, qual tool chamar, o que perguntar, ou se terminou.

Single-agent vs multi-agent

Single-agent (o default): um loop, um modelo, várias tools. É o que resolve 80% dos casos. Exemplo: agente de suporte que consulta pedido, busca FAQ, abre ticket, responde cliente.

Multi-agent: dois ou mais agentes, cada um com seu papel/modelo/ tools, que conversam entre si. Um "pesquisador" busca, um "redator" escreve, um "crítico" revisa. Mais sofisticado, mais caro, mais difícil de debugar.

Single-agent: um loop, várias tools. Multi-agent: cada agente tem papel, eles conversam entre si.

Quando single-agent basta

  • A tarefa é bem definida (resumir documento, classificar email, responder FAQ).
  • As tools são independentes (consultar banco, calcular, buscar).
  • Você quer simplicidade operacional e debug fácil.

Quando multi-agent ajuda (e quando não)

Ajuda:

  • Tarefas com papéis genuinamente diferentes (pesquisar vs escrever vs revisar).
  • Quando um agente pode criticar o output de outro antes de seguir.
  • Workflows longos que se beneficiam de paralelismo entre agentes independentes.

Não ajuda (over-engineering):

  • Tarefas que um agente bem-prompted já resolve.
  • Quando você adiciona agentes pra "parecer mais sofisticado".
  • Quando o overhead de orquestração e custo é maior que o ganho de qualidade.

Padrões de design que importam

  1. Tool com descrição clara - vimos em function-calling. Vale dobrar pra agente: a descrição é o que o agente usa pra decidir.
  2. Limite o número de tools - modelo se perde com 20+ tools. Agrupe, exponha dinamicamente, ou use multi-agent.
  3. Dê ao agente um "orçamento" - máximo de N iterações, ou timeout, ou custo máximo. Sem limite, agente pode entrar em loop.
  4. Logging extensivo - trace de cada iteração: o que o agente decidiu, por quê, qual tool chamou, qual o resultado. Sem isso, debug é inferno.
  5. Human-in-the-loop em ações irreversíveis - "deletar conta", "mandar email externo", "comprar". Agente propõe, humano executa (com aprovação).

Frameworks de orquestração

  • LangGraph (LangChain) - orquestração de agentes em grafo. Mais usado, com tracing bom (LangSmith).
  • DSPy - mais declarativo, "compila" o agente junto com otimização.
  • CrewAI / AutoGen - multi-agent com papéis pré-definidos.
  • Anthropic Agent SDK / OpenAI Agents SDK - frameworks oficiais dos providers.

Regra prática: comece com código explícito (loop + LLM call + tool execution). Só pule pra framework quando a orquestração virar complexa de manter.

// Quiz

Você precisa de um agente que pesquisa, escreve, e revisa artigos de 2000 palavras. Single ou multi-agent?

Escolha uma alternativa
  • Agente = loop onde o modelo decide a próxima ação. Pipeline tem ordem fixa; agente tem ordem dinâmica.
  • Single-agent (1 loop, várias tools) resolve 80% dos casos.
  • Multi-agent ajuda quando os papéis são genuinamente diferentes (pesquisar vs escrever vs revisar).
  • Frameworks (LangGraph, CrewAI, SDKs dos providers) entram quando a orquestração fica complexa de manter à mão.
  • Sempre: limite de iterações, logging extensivo, human-in-the-loop em ações irreversíveis.

Dica: o sinal de que você precisa de multi-agent é: single-agent está "saindo do papel" - começa a pesquisar quando devia estar escrevendo, ou a escrever quando devia estar revisando. Esse é o sintoma clássico de que os papéis precisam ser separados.

No próximo nó, vamos para uma dimensão diferente: o modelo que enxerga, ouve e fala - multimodal.

// recursos

// avaliação da trilha

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