Few-shot: exemplos como superpoder
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Few-shot é a técnica que, sozinha, dá o maior salto de qualidade da Fase 2. Em vez de descrever o que você quer, você mostra. O modelo generaliza a partir dos seus exemplos.
A intuição: descrever é ambíguo, mostrar é cristalino. Quando você diz "seja conciso", o modelo interpreta de um jeito. Quando você dá 3 exemplos de input → output, ele entende exatamente o que você quer.
Os 3 sabores
Zero-shot (sem exemplos)
"Classifique o sentimento deste review: 'O produto é bom, mas o atendimento foi horrível.'"
O modelo usa só as instruções. Bom pra tarefas comuns e bem definidas (tradução, resumo curto, classificação genérica).
One-shot (1 exemplo)
"Classifique o sentimento do review.
Exemplo: Review: 'Adorei! Chegou antes do prazo.' Sentimento: positivo
Agora classifique: Review: 'O produto é bom, mas o atendimento foi horrível.' Sentimento:"
O modelo "ancora" no exemplo. Bom quando o formato ou categoria não é óbvio.
Few-shot (2–5 exemplos, idealmente 3-4)
"Classifique o sentimento do review em: positivo, neutro, negativo.
Exemplos: Review: 'Adorei! Chegou antes do prazo.' Sentimento: positivo
Review: 'O produto é ok. Faz o que promete.' Sentimento: neutro
Review: 'Veio com defeito e o suporte não respondeu.' Sentimento: negativo
Agora classifique: Review: 'O produto é bom, mas o atendimento foi horrível.' Sentimento:"
Onde few-shot brilha
- Classificação customizada - suas categorias, não as padrão do modelo
- Extração em formato específico - JSON, regex, padrão proprietário
- Tom de voz específico - "escreva como nos exemplos a seguir"
- Tradução com regras de casa - glossário, termos obrigatórios
- Geração que segue um template - "para cada item, gere no formato X"
Onde few-shot não ajuda (ou atrapalha)
- Tarefas que o modelo já faz bem sem exemplo (resumo, tradução genérica). Adicionar exemplos aqui só desperdiça tokens.
- Exemplos mal escolhidos - se os 3 exemplos não representam a distribuição real do problema, o modelo vai seguir o viés deles.
- Muitos exemplos - passar de 5-7 raramente ajuda; pode até confundir (o modelo começa a "decorar" em vez de generalizar).
- Few-shot pra raciocínio - few-shot ajuda com formato, mas raciocínio profundo pede chain-of-thought (próximo nó).
Boas práticas
- Exemplos diversos, não redundantes. 3 exemplos cobrindo 3 situações diferentes > 3 variações do mesmo caso.
- Exemplos corretos. Modelo aprende o que você mostra - se tiver exemplo errado, ele aprende errado.
- Formato consistente. Se o exemplo de entrada é uma frase, todos os outros são frases. Misturar formato confunde.
- Ordem pode importar. Em classificação com viés, botar os positivos primeiro vs. os negativos primeiro muda a distribuição. Para categorias equilibradas, aleatorize a ordem dos exemplos.
- Inclua edge cases. Se o caso difícil existe, mostre um exemplo dele. Modelo aprende melhor quando vê a fronteira.
// Quiz
Você precisa classificar tickets de suporte em 4 categorias customizadas da sua empresa. Qual a melhor abordagem?
- Few-shot é "mostrar em vez de descrever". Modelo generaliza a partir dos seus exemplos.
- 3-5 exemplos é o sweet spot. Zero é zero-shot. Um é one-shot. Mais que 5-7 raramente ajuda.
- Exemplos devem ser diversos e corretos. Poucos casos bem escolhidos vencem muitos casos medianos.
- Few-shot resolve formato. Para raciocínio, é complemento do chain-of-thought (próximo nó).
- Few-shot não é "few tokens": cada exemplo pode ser longo, desde que representativo.
Dica: quando o modelo erra um caso específico, adicione esse caso como exemplo e teste de novo. É o jeito mais rápido de "ensinar" sem reescrever todo o prompt.
No próximo nó, vamos para a técnica que, combinada com few-shot, é a mais poderosa da Fase 2: chain-of-thought - pedir pro modelo pensar em voz alta.