Seu primeiro prompt: a anatomia de um prompt bem-feito
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Um prompt bem-feito não é "pergunta comprida". É um pacote de informação que dá ao modelo tudo o que ele precisa pra não chutar. A anatomia tem cinco peças. Você não precisa usar todas sempre - mas saber que elas existem te deixa decidir o que está faltando quando o resultado vem ruim.
Vamos ver as cinco com um exemplo concreto. Imagine que você quer um e-mail de follow-up pra um cliente que ficou em silêncio depois de uma proposta.
❌ Prompt vago (sem anatomia):
"Escreve um e-mail pro cliente."
✅ Prompt com anatomia:
Você é um vendedor B2B sênior, com 10 anos de experiência em SaaS, tom profissional mas humano. Tarefa: escreva um e-mail de follow-up para um cliente que recebeu uma proposta há 7 dias e não respondeu. Contexto: o cliente é uma indústria de médio porte (200 funcionários), o ponto de contato é o CFO, a proposta era para um ERP com valor de R$ 80k anuais, e já tivemos uma call de discovery em que ele se mostrou interessado mas pediu tempo para "alinhar internamente". Restrições: NÃO use pressão comercial agressiva, NÃO mencione a proposta de preço, NÃO sugira uma call sem deixar claro que é opcional. Formato: assunto em uma linha, corpo com no máximo 120 palavras, ending com uma pergunta aberta (não um "aguardo retorno" genérico).
A diferença é brutal. O primeiro pode dar qualquer coisa - de um "Prezado cliente, segue em anexo..." robótico a um textão agressivo de vendas. O segundo define a pessoa, a tarefa, o terreno, os limites e o formato de saída - o modelo tem o contexto certo pra acertar.
Mas eu preciso usar as 5 sempre? Não. Use o que fizer sentido:
- Tarefa simples e conhecida ("traduza isso")? Só a tarefa basta.
- Conversa exploratória? Papel + tarefa + formato.
- Saída estruturada que vira código? Contexto + restrições + formato são cruciais.
- Prompt sensível (saúde, jurídico, dinheiro)? As 5, sempre.
// Quiz
Qual peça do prompt mais provavelmente está faltando quando o modelo responde com o tom errado (ex: muito formal quando você queria algo leve)?
- Papel/Persona define quem o modelo está sendo - e dita tom e voz.
- Tarefa é o verbo: resuma, traduza, gere, critique, planeje.
- Contexto é a informação de fundo que ele precisa pra não chutar.
- Restrições dizem o que NÃO fazer (tão importantes quanto dizer o que fazer).
- Formato diz como entregar: bullets, JSON, markdown, 50 palavras, 3 parágrafos.
Dica: salve esse esqueleto como template. Toda vez que o resultado vier ruim, percorra as 5 peças e pergunte: "qual está faltando ou está vaga?" Na maioria das vezes, o problema está no contexto ou nas restrições.
No próximo nó, vamos afiar a peça que mais gente erra: clareza. Porque mesmo com as 5 peças no lugar, um pedido ambíguo sabota o resultado.